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Salvador Correia

Pai, Marido, Fotógrafo

Salvador Correia

Pai, Marido, Fotógrafo

Prefácio:

Este email foi enviado ao gabinete do Arcebispo Primaz de Braga, aquando da chegada do novo pároco à freguesia de Delães, onde de entre outras coisa passa a negar o acesso aos sacramentos aos paroquianos que não paguem um suposto dividendo ao qual supostamente todos estamos obrigados a pagar enquanto paroquianos de qualquer freguesia. De salientar que isto já serviu para, por exemplo, cobrar 150€ (vá-se lá saber como se chega a este valor: porque não são 100€? Porque não são 200€?) à familia de uma senhora pelo funeral desta mesmo ela tendo pago, erros "administrativos" ou do sistema informático quero acreditar.

O email foi enviado a 28 de janeiro teve resposta no mesmo dia a dizer que iria ser adereçado pessoalmente ao Arcebispo, e até hoje não obtive qualquer resposta, e o senhor Padre, esse, continua a gerir o seu negócio.

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O email:

Ao cuidado do Arcebispo Primaz D. Jorge Ortiga.

Boa noite,
 
Escrevo-Lhe como um natural da paróquia de Delães, Vila Nova de Famalicão mas acima de tudo como filho, irmão, tio de alguém que vive em Delães e atualmente se vê confrontado com uma situação de exclusão forçada da paróquia sob coação do novo pároco da freguesia.
 
Esta semana (como aliás pode ser revisitado nas notícias do Jornal de Notícias e Porto Canal) as pessoas de Delães receberam uma carta do novo pároco onde sob pena de ficar "afastado dos direitos de usufruiur de todos os bens e direitos incluindo os sacramentos" devem pagar uma côngrua, representando um valor monetário com uma fórmula bem definida (qual culto Baptista) alheio ao que as próprias pessoas já tenham feito ou não pela paróquia e, pior de tudo sem atentar às capacidades de cada um, sublinhando mesmo que caso as pessoas em questão não consigam contribuir o devam justificar devida e humildemente junto do pároco.
 
Isto afixado no boletim paroquial no mural da igreja bem vísivel para toda a gente ver, recordando quase uma lista de "vergonha" digna dos anos negros da igreja fazendo o acesso à igreja ser um acesso apenas dedicados àqueles que pagam e não àqueles que por bem querem praticar a sua fé.
 
O novo pároco de Delães chega ao cúmulo de vedar o acesso à capela mortuária que abertamente foi paga por todos somando a tudo isso a exigência até de retroativos da côngrua desde, por exemplo os meus 16 anos (tenho 32 atualmente).
 
Focando na carta remetida a casa dos meus pais, o pároco e passo a citar escreve: "como Presbítero (Sacerdote), nomeado pelo Arcebispo Pároco e Abade de Delães exprimo uma relação religiosa, institucional, visível, pública, estrutural e social. A relação Pároco/paroquianos é regulada pelo Direito Canónico da Igreja, em alguns casos bem concretizada. Assim, no respeito pelo Direito, não devo considerar-me Pároco de todos, mas somente daqueles que me reconhecem como tal". Pois D. Jorge perante isto não sei sequer como encaixar a minha educação católica em tais assumpções. 
 
O Pároco continua: "Compete-lhe pois (ao conselho enconómico), como entidade patronal, providenciar para que o pároco possa dispor de um salário mensal, conforme as indicações da Igreja". Tudo isto porque a nova concordata exige que os Párocos sejam tributados de IRS. 
 
Qual é o salário que o Pároco de delães deve "dispor"? É sabido certamente que um salário minimo nacional (maior que muitos dos que habitam Delães) é o suficiente para ficar isento do pagamento de IRS, certo? Não faz parte dos ensinamos ao qual um Padre está sujeito durante a sua formação o aprender a viver apenas com o mínimo e essencial para viver? Não é isso que constituiu um verdadeiro seguidor dos ensinamentos de Cristo? Irá o Pároco passar fome caso as pessoas não contribuam?
 
Desta feita, o Pároco de Delães estabelece à cabeça uma relação de prestador de serviços para com as pessoas da paróquia, onde cada pessoa apenas o reconhece como Pároco se pagar o valor estipulado, revelando-se nada mais que isso, assentando em cada palavra reveladora de uma mentalidade retrógrada uma postura de intimidação e privação dos sacramentos que são de todos por direito à luz do baptismo. Pelo menos assim me ensinaram, na paróquia de Delães.
 
D. Jorge, toda a gente de Delães percebe que a Igreja vive da caridade dos paroquianos precisando dela para subsistir, no entanto dificilmente podemos classificar esta atitude do Pároco de outra forma que não de chantagem emocial com base em direitos da Igreja que as pessoas não conhecem e mesmo assim sempre contribuiram de bom grado quando o Pároco lhes apelou corretamente.  Isto, dificilmente constituiu um Padre na minha educação católica.
 
Sinto que já me alongo num assunto que tem tanto de triste como de preocupante pelo mau estar que causou na paróquia levando mesmo gente para a paróquia vizinha, para revelar a minha profunda desilusão para com esta atitude do novo Pároco de Delães e de constatar que nos dias que correm, onde cada vez mais as pessoas, em particular os jovens se afastam da Igreja, estas pessoas, quais prestadores de serviços, cavam com dinheiro um já enorme fosso entre as pessoas e a Igreja.
 
Estou disposto a fornecer uma cópia desta carta se assim o entender.
 
Despeço-me com duas citações do nosso Santo Padre, Papa Francisco:
“Ah, padre, mas quanto tenho de pagar para que o meu nome seja dito, lá? Nada. Entendido, isto? Nada. A Missa não se paga. É o sacrifício de Cristo, que é gratuito. A redenção é gratuita. Se quiseres fazer uma oferta, faz, mas não se paga. É importante perceber isto”,
 
“É Deus que coloca o limite a este apego ao dinheiro. Quando o homem se torna escravo do dinheiro. E esta não é fábula que Jesus inventa: esta é a realidade. É a realidade de hoje. É a realidade de hoje. Muitos homens que vivem para adorar o dinheiro, para fazer do dinheiro o próprio deus. Tantas pessoas que vivem somente para isto e a vida não tem sentido. ‘Assim faz quem acumula tesouros para si – diz o Senhor – e não se enriquece junto a Deus’: não sabem o que é enriquecer-se junto a Deus”.